Nos últimos tempos, recebemos muitos comentários nas redes sociais sobre o que significa, afinal, oferecer reproduções licenciadas de obras de arte. Alguns desses comentários foram diretos, outros um pouco irônicos, e todos merecem uma resposta à altura, porque a conversa sobre arte, autenticidade e qualidade é muito mais rica do que parece à primeira vista.
"Cópia gourmet": quando o sarcasmo esconde uma questão legítima
Um dos comentários que circulou foi este: "Ou seja: cópia gourmet."
Entendemos de onde vem a ironia. Existe uma cultura muito legítima de desconfiança em relação a produtos que se apresentam como superiores quando, na prática, entregam o mesmo que qualquer alternativa mais barata. Mas aqui a situação é diferente, e vale a pena explicar por quê.
Uma reprodução licenciada não é uma cópia no sentido que o comentário sugere, da mesma forma que um livro impresso não é uma "cópia gourmet" do manuscrito original de um autor. Quando você compra uma edição de qualidade de Matisse. Uma Vida, está adquirindo algo produzido com o aval dos detentores dos direitos, com papel, tipografia e acabamento que fazem jus à obra. O mesmo princípio se aplica aqui.
O licenciamento existe, antes de tudo, como uma forma de garantia. Quem detém os direitos de imagem de uma obra ou de um artista tem todo o interesse em que qualquer reprodução autorizada reflita o nível que aquela arte merece. Nenhum titular de direitos quer ver o nome de um grande artista associado a uma impressão desbotada, com cores distorcidas ou em material de baixíssima qualidade. O licenciamento, portanto, não é só uma formalidade jurídica. É um compromisso com o padrão.
Apoiar artistas vivos e amar a história da arte não são escolhas excludentes
Outro comentário que apareceu com frequência foi: "Muito mais fácil apoiar o trabalho original de novos artistas, do que comprar uma cópia autenticada de algo histórico porém bem 'batido'."
Esse ponto tem toda a razão, e ao mesmo tempo levanta uma falsa dicotomia.
Apoiar artistas iniciantes, locais, emergentes, é algo que defendemos de verdade. Existe uma vitalidade no trabalho de quem está construindo sua linguagem agora, respondendo ao mundo de hoje, que nenhuma reprodução histórica pode substituir.
E pra isso, temos até sites parceiros como alternativa:
DePoster: deposter.com.br
Onde apresentamos quadros autênticos, de artistas verdadeiros e atuais! De brasilidades, até quadros Copenhagen Charm. Fotografias, pinturas e colagens. De tudo um pouco pra você!
Empório: https://emporiodosquadros.com.br/
Lá, são artes modernas focadas em arte cristã. Para que você possa expressar sua fé com modernidade.
Adquirir uma obra original de um artista que está começando é um gesto que tem peso cultural, econômico e afetivo. É participar da história que ainda está sendo escrita.
Mas isso não cancela o outro lado.
Existem designers que têm Bauhaus na parede do escritório porque aquele movimento mudou a forma como eles pensam a relação entre função e forma. Existem pintores que aprenderam com Van Gogh ou com Tarsila do Amaral e que carregam essas influências na pele. Para essas pessoas, ter uma reprodução de qualidade de uma obra histórica não é abandonar os artistas contemporâneos. É honrar uma genealogia.
Um colecionador pode ter uma escultura de um artista local da sua cidade e, na mesma sala, uma reprodução licenciada de Picasso. Um casal pode comprar a aquarela de uma artista que descobriu no Instagram e também querer um quadro da fase antropofágica de Tarsila porque se emocionaram estudando o Modernismo brasileiro na faculdade. Essas escolhas coexistem. Cada uma responde a uma necessidade diferente, a uma história diferente.
O ponto não é hierarquizar. É garantir que, para quem realmente quer ter uma dessas obras em casa, a experiência seja à altura do que aquela arte representa.
Leo Gestel: quando a pergunta é sobre legitimidade

Sobre as obras de Leo Gestel, chegou um comentário preciso: "Esses também são licenciados, oficiais e autênticos?"
Suas obras, hoje sob domínio público em boa parte do mundo, são gerenciadas por instituições e herdeiros que zelam pela integridade das reproduções autorizadas. Quando trabalhamos com Gestel, fazemos isso com o mesmo cuidado que aplicamos a qualquer outro artista do nosso catálogo: garantindo que as cores, os detalhes e o acabamento correspondam ao que a obra original transmite.
Tarsila do Amaral: licença direta, sem intermediários
Este comentário exigiu uma resposta específica: "Sobre Tarsila: Mas quem tem direito não é o Malba, em Buenos Aires? de lá tb não presta?"
É uma dúvida pertinente, porque o Malba, Museu de Arte Latino-americana de Buenos Aires, realmente possui obras originais de Tarsila do Amaral em seu acervo. Ter uma obra em acervo, porém, não é o mesmo que deter os direitos de reprodução e licenciamento da obra de um artista.
Os direitos de imagem e licenciamento das obras de Tarsila do Amaral são geridos pela Tarsila do Amaral Empreendimentos e Licenciamento S.A., a empresa familiar criada pelos herdeiros da artista exatamente para controlar como e onde suas obras são reproduzidas comercialmente. Nossa licença é firmada diretamente com essa empresa. Se quiser confirmar, basta entrar em contato com o perfil oficial da artista no Instagram (@tarsiladoamaraloficial) ou direto no site oficial Tarsila (https://www.tarsiladoamaral.com.br/parceiros-oficiais).
Mas por que o licenciamento de Tarsila importa tanto? Porque estamos falando de uma artista que não apenas criou obras extraordinárias, mas que definiu a identidade visual de um país em um momento fundamental de sua história cultural.
Tarsila do Amaral nasceu em 1886, filha de uma família de fazendeiros do café. A riqueza da família lhe deu acesso a uma educação que incluiu, desde cedo, aulas de música, bordado e desenho, as disciplinas consideradas adequadas para moças de sua condição. Mas Tarsila quis mais.
Em 1906, ela se casou pela primeira vez e foi para a Europa com o marido, onde teve seu primeiro contato mais sistemático com as artes visuais. Ela voltou ao Brasil, criou filha, viveu a vida que sua classe e sua época esperavam dela.
Em 1920, separada e decidida, embarcou para Paris para estudar na École des Beaux-Arts. Em Paris, ela frequentou os ateliês de alguns dos artistas mais importantes do momento. Estudou com Fernand Léger, que seria uma das influências mais duradouras em sua obra.
Em 1923, ela voltou ao Brasil. E foi nessa viagem ao Rio de Janeiro para o Carnaval que algo se quebrou dentro dela, no melhor sentido. O Brasil que ela viu naquele Carnaval, os corpos, as cores, o samba, a mistura racial, a arquitetura colonial, o verde impossível da vegetação, era absolutamente incompatível com qualquer coisa que a Europa havia produzido. E era o que ela queria pintar.
Em 1923, ela pintou A Negra, uma das obras mais radicais de sua trajetória. A figura feminina de pele escura, lábios proeminentes, seios à mostra e corpo monumental não era nem idealização nem caricatura. Era uma afirmação. A composição usa os volumes simplificados que ela aprendeu com Léger, mas o que ela faz com esses recursos é inteiramente seu: uma figura que ocupa o quadro com dignidade absoluta, diante de um fundo que mistura listras e formas geométricas numa paleta que só o Brasil poderia gerar.
Oswald de Andrade, com quem Tarsila viveria um relacionamento intenso por anos, seria o autor do Manifesto Antropófago em 1928, texto que tomou emprestada a metáfora da pintura de Tarsila para propor que o Brasil deveria "devorar" as influências estrangeiras e transformá-las em algo próprio. A tela que inspirou o manifesto, Abaporu, foi pintada por Tarsila em 1928 como presente de aniversário para Oswald. Sobre um fundo amarelo solar, uma figura humana de proporções absurdas, com braços e pernas grotescamente exagerados e cabeça minúscula, senta-se ao lado de um cacto. A figura é ao mesmo tempo cômica e perturbadora, primitiva e sofisticada, completamente original.
Nos anos seguintes, a crise de 1929 abalou as finanças da família de Tarsila, e ela e Oswald se separaram. A artista passou por um período de dificuldades que se refletiu em sua pintura: as obras da chamada fase social, do início dos anos 1930, mostram operários, trabalhadores braçais e favelas. A geometria permanece, mas o tom é outro, mais sombrio, mais politicamente engajado.
Tarsila continuou pintando até o fim da vida. Morreu em 1973, aos 86 anos, tendo vivido o suficiente para ver sua obra ser reconhecida como um dos pilares fundadores da identidade visual brasileira moderna.
Garantir que as reproduções de suas obras sejam feitas com qualidade e com o aval de quem tem autoridade para isso não é uma burocracia. É o mínimo de respeito que uma obra dessa magnitude merece.
O que está em jogo quando falamos em qualidade
Existe uma tendência de tratar a discussão sobre qualidade como pretensão. Mas quando se fala em reprodução de obras de arte, qualidade não é um detalhe estético. É o que determina se você vai ter em casa algo que realmente carrega a potência daquela imagem, ou uma versão empobrecida que não faz jus ao original.
Cor é informação. Uma reprodução com perfil de cor errado, papel inadequado ou impressão de baixa resolução não é a mesma imagem. É outra coisa, uma aproximação imprecisa que pode distorcer completamente o que a obra comunica.
O licenciamento garante acesso a arquivos de alta fidelidade, a protocolos de impressão validados e a materiais que preservam a integridade visual da obra. Não é gourmetização. É o compromisso de entregar o que a arte de fato é.
Para quem é tudo isso
No fim das contas, essa conversa toda é sobre respeito.
Respeito pelo artista que criou.
Respeito pela obra que resistiu ao tempo.
Respeito por quem, hoje, quer ter essa obra em sua vida.
Existe espaço para tudo: para a tela comprada diretamente de um artista local que você conheceu numa feira, para a gravura da artista que você acompanha no Instagram desde o começo, e também para a reprodução de qualidade do quadro que mudou a forma como você enxerga o mundo quando você tinha vinte anos.
Não é preciso escolher. É preciso saber o que cada coisa é e garantir que, para cada escolha, a qualidade esteja à altura da decisão.





