Tarsila do Amaral está completando 140 anos de nascimento. E São Paulo está celebrando da forma mais à altura possível: a maior exposição imersiva já dedicada à sua trajetória abriu as portas em agosto, no Nubank Arte Lab — o novo e maior espaço de experiências imersivas do Brasil, localizado no Conjunto Nacional, na Avenida Paulista.
O Brasil de Tarsila não é uma exposição convencional. Não há obras em molduras em paredes brancas. É um mergulho físico no universo visual da pintora — projeções de 360 graus, cenografia imersiva, trilha sonora, dispositivos interativos e até aromas que acompanham cada sala da experiência.
O que você vai encontrar em mais de 10 salas
A mostra revisita cerca de 40 obras de Tarsila — pinturas icônicas, desenhos, esboços e ilustrações — por meio de projeções monumentais de 360 graus que transformam o visitante em parte da composição. Você não olha para as obras: você está dentro delas.
Cada sala tem uma identidade própria. Algumas são sensoriais — com aromas desenvolvidos especificamente para reforçar o universo de cada fase da artista. Outras são interativas — com dispositivos que permitem explorar o processo criativo de Tarsila, entender como ela construía suas composições, quais referências influenciaram cada obra. É uma experiência pensada tanto para quem já conhece a trajetória da artista quanto para quem vai encontrá-la pela primeira vez.
Um detalhe importante: todo o conteúdo audiovisual foi desenvolvido por artistas visuais — não por inteligência artificial. A proposta é usar a tecnologia como amplificador da experiência artística, não como substituto da criação. A curadoria é assinada por Paola do Amaral Montenegro, gestora da Tarsila do Amaral S.A., e Juliana Miraldi, pesquisadora e curadora de exposições imersivas — o que garante fidelidade histórica e estética à trajetória da pintora.
"Seguindo os moldes de consagradas mostras internacionais dedicadas a Van Gogh e Monet, o projeto traz a genialidade nacional para o centro dos holofotes tecnológicos. Agora, é a vez de uma artista brasileira ocupar esse espaço."
Por que Tarsila merece essa exposição
Tarsila do Amaral é a figura mais importante do modernismo brasileiro. Mas esse título, por ser tão repetido, às vezes perde o peso que merece ter. O que Tarsila fez foi criar, praticamente do zero, uma linguagem visual brasileira — uma paleta, um repertório de formas, uma mitologia visual que antes dela simplesmente não existia na pintura nacional.
Ela voltou da Europa com a bagagem do cubismo e do modernismo francês — estudou em Paris, conviveu com Léger, Brancusi, Delaunay. E em vez de reproduzir o que via lá, usou essas ferramentas para olhar para o Brasil com outros olhos. O azul-ovo, o rosa-carne, as formas simplificadas de fauna e flora tropical, as figuras humanas distorcidas que parecem feitas de argila — tudo isso é Tarsila. Tudo isso é Brasil visto de dentro, por uma artista que tinha o vocabulário técnico para transformar o que via em arte de alcance universal.
Nas últimas décadas, o reconhecimento internacional foi se consolidando: obras dela estão em museus de Paris, Nova York, Buenos Aires. O Abaporu, avaliado em mais de US$ 1,5 milhão, é a obra mais valiosa do modernismo brasileiro. E em 2026, ao completar 140 anos de nascimento, ela recebe a maior exposição imersiva já dedicada a um artista brasileiro.
Três fases, um Brasil inteiro
A trajetória de Tarsila passou por três fases que a exposição provavelmente vai percorrer — e que representam três olhares diferentes sobre o Brasil. Entender esse arco antes de entrar nas salas enriquece a experiência.
O Brasil tropical, festivo, exuberante. A Caipirinha, o Mamoeiro, o Morro da Favela — um país visto com olhos que acabaram de aprender cubismo mas escolheram usar essa técnica para celebrar a paisagem local. O azul-ovo e o rosa-carne são desta fase.
A fase mais mítica. Abaporu, Antropofagia — obras que deram base visual ao Movimento Antropofágico de Oswald de Andrade. Figuras humanas distorcidas, surrealistas, que parecem crescer da terra brasileira. A fase onde Tarsila cria sua mitologia pessoal.
A Tarsila política. Operários (1933), com seus 51 rostos anônimos sobre um céu de chaminés, é a obra mais importante desta fase — e uma das mais relevantes de toda a arte brasileira. A paleta escurece, o olhar se vira para as margens da industrialização.
Tudo que você precisa saber antes de ir
Nubank Arte Lab — Conjunto Nacional, Av. Paulista 2.073, 1º andar, São Paulo
15 de agosto a 31 de outubro de 2026
Quarta a segunda, das 10h às 22h · Fechado às terças-feiras · Última sessão às 21h, último horário de entrada às 21h20
Aproximadamente 30 minutos por sessão
Dias úteis: Inteira R$ 80 · Meia R$ 40
Fins de semana e feriados: Inteira R$ 100 · Meia R$ 50
Clientes Nubank têm 35% de desconto em um ingresso · Via feverup.com
Livre para todas as idades · Menores de 16 anos somente com responsável legal ou autorização formal
Web App UMPRATODOS com audiodescrição, vídeo libras com legenda e texto com imagens — disponível para Android, iOS e browser
Depois da exposição, a obra fica com você
Uma exposição imersiva tem a capacidade de fazer você ver uma obra com outros olhos — de dentro para fora, em vez de fora para dentro. Quando você sai de O Brasil de Tarsila, o Abaporu que você já conhecia de foto vai parecer diferente. A Antropofagia vai ter outra profundidade. Operários vai ter mais peso. Isso é o que as boas exposições fazem: mudam a relação que você tem com as obras para muito além do tempo que você passa nelas.
Para quem quiser levar um pedaço dessa experiência para casa: a Moderna Quadros tem parceria oficial com a Tarsila do Amaral S.A. — é a única loja no Brasil com direitos legais de comercializar reproduções das obras de Tarsila. As impressões são em altíssima resolução, licenciadas pelos herdeiros e com o mesmo rigor de fidelidade estética que a exposição promete nas projeções.




