Em outubro de 2026, duas pinturas de Tarsila do Amaral vão ao Grand Palais de Paris: Manacá, avaliada em US$ 25 milhões, e A Feira II, avaliada em US$ 20 milhões. Ambas são da década de 1920 — a fase mais celebrada da artista, aquela que a consolidou como a pintora mais importante do modernismo brasileiro. O evento que vai recebê-las é a Art Basel Paris 2026.
Para quem acompanha arte mas não vive dentro do mercado: a Art Basel é a maior e mais influente feira de arte do mundo. Entender o que ela é, como funciona e por que ter Tarsila nesse palco importa é o que este texto trata.
Art Basel: a maior feira de arte do mundo
Fonte: https://www.artbasel.com/stories/guide-art-basel-2025
A Art Basel é uma feira internacional de arte fundada em 1970 na cidade de Basileia, na Suíça. Durante mais de cinquenta anos, ela se estabeleceu como o principal termômetro do mercado global de arte: o lugar onde as maiores galerias do mundo apresentam obras de arte moderna e contemporânea para colecionadores, museus e instituições. Quem compra na Art Basel não está apenas adquirindo uma obra — está sinalizando ao mundo o que considera importante.
Ao longo das décadas, a marca expandiu para outras cidades: Miami Beach (desde 2002) e Hong Kong (desde 2013). Em 2022, chegou a Paris, assumindo o espaço que havia sido da FIAC — a principal feira de arte francesa por quase meio século — e instalando-se no Grand Palais, um dos edifícios mais icônicos da capital francesa.
"Edition by edition, Art Basel Paris has become deeply embedded in the French cultural landscape and established itself as a major moment at the intersection of the art world and the broader creative industries." — Karim Crippa, Diretor, Art Basel Paris
Art Basel Paris 2026: quinta edição, nova direção
A edição 2026, que acontece de 23 a 25 de outubro no Grand Palais, com dias de preview nos dias 21 e 22 e um dia ultra-exclusivo por convite no dia 20 (o "Avant-Première"), é a quinta da feira em Paris — e a primeira sob a direção de Karim Crippa, ex-chefe de comunicação da Art Basel que assumiu o posto em 2026. São mais de 200 galerias de 41 países, distribuídas em três setores: Galeries, Emergence e Premise.
O setor Galeries reúne mais de 180 dos mais importantes dealers de arte moderna, pós-guerra e contemporânea do mundo — incluindo Gagosian, Hauser & Wirth, David Zwirner, White Cube e galerias parisienses como Perrotin, Templon e Almine Rech. O setor Emergence, dedicado a galerias mais jovens, traz 16 estandes com 12 estreantes. O setor Premise apresenta projetos de pesquisa histórica aprofundada — e é aqui que Tarsila do Amaral aparece entre os destaques de 2026.
Manacá e A Feira II:
o Brasil no topo do mercado
Tarsila do Amaral figura entre os destaques do setor Premise da Art Basel Paris 2026. As duas obras levadas são da sua fase mais celebrada: os anos 1920, o período Pau-Brasil que transformou a linguagem do cubismo europeu — aprendida diretamente com Léger em Paris — numa arte que falava do Brasil com voz própria.
Manacá é avaliada em US$ 25 milhões. A Feira II (1925), óleo sobre tela, é avaliada em US$ 20 milhões. Juntas, representam US$ 45 milhões em arte brasileira num único endereço — o que não é apenas uma notícia de mercado. É um reconhecimento histórico.
Obra da fase Pau-Brasil — o período em que Tarsila retornou ao Brasil com os instrumentos do modernismo europeu e os colocou a serviço de uma visão inteiramente nacional. O Manacá é uma planta nativa do Brasil, e sua presença numa obra de Tarsila é a síntese do que essa fase representou: a floresta, as cores, os volumes simplificados — tudo europeu na técnica, tudo brasileiro na alma.
A obra retrata o início da ocupação dos morros nas grandes cidades brasileiras — um tema sem precedentes na arte da época. Com a simplificação das formas, a paleta vibrante e a estilização da paisagem urbana, estabelece um elo entre o cubismo europeu e a identidade brasileira. Já esteve em destaque na SP-Arte 2026, onde foi apresentada pela galeria Almeida & Dale com pedido de US$ 20 milhões — a mesma obra que agora vai ao Grand Palais.
O que significa Tarsila no Grand Palais
Há uma ironia histórica bonita nisso tudo. Tarsila passou anos em Paris nos anos 1920, estudando com os mestres do modernismo europeu. Levou a Paris uma mulher brasileira de fazenda, filha da elite cafeeira do interior paulista — e voltou com o que precisava para criar uma arte inteiramente nova. Quase cem anos depois, as obras que ela criou com essa experiência voltam ao Grand Palais, desta vez como obras de importância global reconhecida. O valor de US$ 45 milhões combinados não é apenas um dado de mercado: é o mundo dizendo o que a arte brasileira sempre soube sobre si mesma.
Arte brasileira no topo do mercado global
A presença de Tarsila no setor Premise da Art Basel Paris — dedicado a projetos de pesquisa histórica fundamentada — não é um gesto decorativo. É um posicionamento: as obras dela pertencem à mesma conversa que as obras de Matisse, Léger, Picasso. Foram criadas na mesma época, no mesmo ambiente intelectual, com o mesmo nível de ambição e rigor. A diferença é que, por décadas, o mercado de arte ocidental tratou a produção não-europeia como periférica. Tarsila na Art Basel Paris 2026 é o sinal mais claro de que essa narrativa está mudando.
Abaporu, Antropofagia, O Mamoeiro, Os Operários, Figura Só e mais — as obras da artista mais importante do modernismo brasileiro, em parceria oficial com os herdeiros de Tarsila
Como a Art Basel funciona na prática
A Art Basel não é um museu aberto ao público geral — é uma feira comercial onde galerias alugam estandes para apresentar e vender obras de arte. A lógica é parecida com qualquer feira de negócios, mas o contexto é inteiramente diferente: as obras valem de dezenas de milhares a dezenas de milhões de dólares, os compradores são colecionadores particulares, museus e fundações, e o evento determina tendências de mercado que duram anos.
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01Curadoria de entrada
Nem toda galeria pode participar. A Art Basel tem um comitê de seleção que avalia qualidade, relevância e histórico de cada candidata. Ser aceito já é um sinal de prestígio no mercado.
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02Preview days para colecionadores VIP
Os dias de preview — antes da abertura ao público geral — são reservados para os maiores colecionadores do mundo. As obras mais importantes são vendidas nesses primeiros dias, muitas vezes antes de a feira abrir oficialmente. Em Paris 2026, os dias 20, 21 e 22 de outubro são exclusivos para esse público.
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03Programa público gratuito
A Art Basel Paris também tem um programa gratuito espalhado pela cidade, com instalações em locais icônicos como o Palais d'Iéna e a Avenue Winston-Churchill. Em 2026, o programa ocupa 9 locais diferentes da capital. É a parte da feira que qualquer pessoa pode ver.
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04A Paris Art Week
A Art Basel ancora o que é chamado de "Paris Art Week" — uma semana inteira de atividade cultural intensa na cidade, com feiras satélite como a Paris Internationale, exposições institucionais e eventos em galerias independentes. Para o mercado de arte, é um dos momentos mais importantes do calendário global.
Arte brasileira no maior palco do mundo
A presença de Tarsila do Amaral na Art Basel Paris 2026 não é um episódio isolado. É parte de um movimento mais amplo de reconhecimento internacional da arte brasileira. Em 2025, as vendas do mercado de arte francês atingiram US$ 4,5 bilhões — alta de 9% sobre o ano anterior. Parte desse crescimento é explicado pela chegada de colecionadores americanos que historicamente preferiam Paris a Basel no outono. E esses colecionadores estão descobrindo — ou redescubrindo — a profundidade da produção modernista brasileira.
Tarsila estudou em Paris nos anos 1920. Aprendeu com os mesmos professores que formaram o modernismo europeu. E fez algo que nenhum deles poderia ter feito: pegou essa linguagem e a devolveu ao mundo com a marca inconfundível do Brasil. Quase cem anos depois, essa devolução chega ao Grand Palais com dois preços impressionantes e um reconhecimento muito maior do que qualquer número pode expressar.
A Art Basel existe para mostrar o que o mundo considera importante em arte. Em outubro de 2026, o que o mundo vai ver no Grand Palais inclui duas pinturas brasileiras dos anos 1920. E elas chegam lá por direito próprio.
na Moderna Quadros
A artista que vai ao Grand Palais em outubro — disponível em reproduções oficiais para a sua parede




